Entenda o que a menopausa tem a ver com a gordura no fígado Ouvir 16 de julho de 2025 Com a chegada da menopausa, muitas mulheres enfrentam uma série de transformações hormonais e metabólicas que vão além dos tradicionais calores, insônia ou alterações de humor. Uma dessas mudanças pode ser a presença da esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado. Ainda pouco associada ao climatério, a condição pode trazer riscos importantes à saúde, como fibrose, cirrose e até câncer de fígado, especialmente quando não diagnosticada ou tratada a tempo. Mas o que esse problema tem a ver com a menopausa? “A mulher tem o estrogênio como principal fator protetor. E esse hormônio, quando começa a cair a partir dos 45 anos, mesmo antes da menopausa se instalar, já promove alterações no corpo, especialmente no metabolismo da glicose e do colesterol”, explica a médica ginecologista e nutróloga Alessandra Bedin Pochini, do Einstein Hospital Israelita. Leia também Saúde Menopausa: por que muitas mulheres sofrem mesmo com tanta informação? Saúde Entenda por que perder peso ajuda a amenizar os sintomas da menopausa Vida & Estilo Saiba se é preciso aumentar o consumo de proteína na menopausa Saúde Afinal de contas, menopausa engorda? Entenda causas do ganho de peso Esse declínio hormonal favorece o acúmulo de gordura visceral, que é mais inflamatória e perigosa. Essa gordura eleva o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e de esteatose hepática — que está diretamente associada ao sobrepeso e à obesidade. “A deficiência estrogênica aumenta o estresse oxidativo, agrava a resistência à insulina, facilita o aumento da gordura visceral e hepática e, consequentemente, eleva o risco de esteatose e fibrose hepática”, conta Alessandra Bedin. Segundo a médica, o período mais crítico para o desenvolvimento de gordura no fígado é justamente durante a transição, que começa cerca de três anos antes da última menstruação e se estende por até dois ou três anos depois. Nesse intervalo, o corpo feminino passa por uma redistribuição da composição corporal: perde-se massa muscular e ganha-se gordura, especialmente na região abdominal. “É nessa fase que a gordura hepática aparece com mais frequência e pode evoluir com maior gravidade”, alerta. Estudos internacionais apontam que a prevalência da esteatose hepática em mulheres pós-menopausa é 20% maior do que nas que ainda não passaram por essa fase. Mundialmente, cerca de 30% das mulheres têm algum grau da doença, com pico de incidência entre 60 e 69 anos. O grande problema da gordura no fígado é sua natureza silenciosa. A maioria das mulheres sequer desconfia de que está desenvolvendo a condição, pois os sintomas são bastante inespecíficos: cansaço, desconforto abdominal ou alterações leves nos exames laboratoriais. “Muitas vezes, a mulher chega ao consultório já tendo passado por outros profissionais que minimizaram o diagnóstico, dizendo que era ‘só uma gordurinha no fígado’. Isso precisa mudar”, pontua Bedin. Na visão da especialista, o maior número de diagnósticos de esteatose em mulheres nessa faixa etária se deve ao avanço nas discussões sobre menopausa e obesidade. “Estudos com as novas medicações para tratar a obesidade [como a semaglutida] têm mostrado resultados promissores no enfrentamento da esteatose hepática. Não temos um milagre, mas estamos caminhando. Essas medicações têm melhorado muito a condição metabólica e, como consequência, a saúde do fígado também”, afirma. 7 imagensFechar modal.1 de 7 A menopausa é caracterizada pelo desequilíbrio hormonal no organismo das mulheres Getty Images2 de 7 Média de idade da mulher entrar na menopausa no Brasil é 48 anos; somente metade delas faz tratamento BSIP/UIG/Getty Images3 de 7 O fogacho é um dos principais sintomas da menopausa Getty Images4 de 7 As doenças cardiovasculares, mais comuns após a menopausa, são a principal causa de morte em mulheres Saúde em Dia/ Reprodução 5 de 7 O fogacho é um dos principais sintomas da menopausa Getty Images6 de 7 As ondas de calor da menopausa precoce podem ocorrer, inclusive, durante o sono Getty Images7 de 7 A menopausa traz diversos impactos na vida da mulher Getty Images Terapia de reposição hormonal é aliada A terapia de reposição hormonal (TRH) também pode ser uma aliada importante no tratamento, desde que usada dentro da chamada “janela de oportunidade” — até dez anos após a última menstruação. Passado esse período, o uso do estrogênio pode deixar de ser benéfico e protetor e aumentar riscos cardiovasculares. “Parece contraditório, mas é como se o corpo perdesse a capacidade de reconhecer o hormônio como protetor depois de tanto tempo sem ele. Por isso, o acompanhamento médico é essencial”, orienta a especialista. Estudos mostram que a terapia de reposição hormonal, quando bem aplicada, reduz a gordura hepática, melhora a sensibilidade à insulina e ajuda no controle do colesterol e da glicose. No entanto, o uso isolado pode não ser suficiente. “A combinação com mudanças no estilo de vida e, em muitos casos, medicamentos para obesidade é o que traz melhores resultados. Por isso é tão importante o diagnóstico precoce”, adverte. Atenção redobrada a partir dos 40 Por ser uma doença silenciosa, o diagnóstico da gordura no fígado costuma ser feito ao acaso, durante exames de rotina, por meio de ultrassonografia abdominal. Em casos mais complexos, pode ser indicada a biópsia hepática, ainda considerada o padrão ouro. Exames laboratoriais, como o perfil metabolômico, ajudam a avaliar a gravidade e o risco de evolução da doença. “A esteatose não começa quando os sintomas aparecem; em geral, ela começou de cinco a dez anos antes”, destaca Bedin. Daí a importância de um olhar atento para a saúde hepática da mulher a partir dos 40 anos. “Não é só fazer o papanicolau ou a mamografia. Precisamos olhar também para o fígado, o metabolismo, os níveis de colesterol e a glicemia”. A boa notícia é que a doença é reversível em estágios iniciais. “Nos graus mais avançados, quando já existe uma inflamação muito grande ou fibrose, a gente não consegue reverter, mas melhora. Por isso, deixar evoluir é a pior coisa”, conclui a médica do Einstein. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Pesquisa revela exercício físico capaz de reduzir a fome 26 de outubro de 2024 A ciência trouxe boas notícias para quem está em busca do emagrecimento. Pesquisadores da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, descobriram que exercícios físicos vigorosos são capazes de reduzir os níveis de grelina no corpo, a substância é conhecida como hormônio da fome. “Descobrimos que os indivíduos sentiam ‘menos fome’… Read More
Notícias Obesidade: como tratamentos revolucionaram o combate à doença em 2023 1 de janeiro de 2024 O sobrepeso e a obesidade causam uma série de limitações para milhões de pessoas em todo o mundo. O excesso de peso é um fator de risco importante para problemas de saúde como a diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, dores nas articulações e nas costas e alguns tipos de… Read More
Notícias Entenda o caso de homem que descobriu aos 44 anos ter o cérebro “oco” 22 de fevereiro de 2025 Voltou a circular nas redes sociais o curioso caso de um homem francês de 44 anos que descobriu por acaso que tinha o cérebro oco: seu sistema nervoso havia sido extremamente reduzido à uma fina camada mais perto do crânio. A condição ficou desconhecida por décadas. O homem foi vítima… Read More