Ócio: entenda por que o cérebro precisa do tédio para funcionar melhor Ouvir 6 de setembro de 2025 Ficar sem fazer nada é uma ideia difícil de imaginar em tempos de agendas lotadas e telas sempre por perto. Mas esse vazio, frequentemente visto como perda de tempo, pode trazer ganhos importantes para a saúde mental e o funcionamento do cérebro. Segundo o neurocientista e psicólogo Eduardo Rocha, do Instituto Inner, em Brasília, quando estamos entediados o cérebro muda para um estado introspectivo. “É um modo de reflexão ativa, criativa e de auto-observação. Nesse estado, o cérebro reorganiza pensamentos e se prepara para retomar suas atividades”, explica. A neurologista Thaís Augusta Martins, coordenadora de Neurologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, detalha que o tédio reduz a atividade dopaminérgica e ativa a chamada Default Mode Network, uma rede ligada ao descanso cerebral e à autorreflexão. “Esse tempo vazio favorece a integração de informações internas, a regulação emocional e a consolidação da memória”, afirma. Motor da criatividade Esse estado também pode impulsionar a resolução de problemas. Para Rocha, é mais adequado falar em ócio do que em tédio. “O ócio permite que áreas diferentes do cérebro se conectem. A associação entre regiões auditivas, motoras e visuais favorece o surgimento de ideias criativas e auxilia na solução de desafios complexos”, diz. Leia também Saúde Ver vídeos para não ficar entediado pode gerar mais tédio, diz estudo Ciência Macacos-prego sequestram filhotes de bugios por tédio Saúde Boceja sem parar? Entenda quais podem ser as causas Saúde Estratégias para focar ajudam a enfrentar crise de atenção dos jovens A experiência de deixar a mente vagar sem estímulos imediatos é tão importante que práticas como a meditação utilizam esse mecanismo de descanso para gerar efeitos positivos comprovados. Por que é tão difícil lidar com o tédio hoje? Se por um lado o tédio pode ter valor, por outro, se tornou cada vez menos tolerado. O neurologista Flavio Sallem, do Hospital Japonês Santa Cruz, em São Paulo, aponta que a vida digital mudou esse cenário. “Vivemos cercados por estímulos que oferecem recompensas imediatas. Cada notificação ou rolagem de feed ativa circuitos de dopamina. Por isso, o silêncio e a espera parecem insuportáveis”, observa o médico. Thaís afirma que os algoritmos das redes sociais intensificam essa busca. “Eles exploram circuitos de recompensa dopaminérgica de maneira semelhante ao que ocorre em vícios. Isso condiciona o cérebro a procurar constantemente novos estímulos e diminui a tolerância ao tédio”, complementa. O cérebro faz parte do sistema nervoso central e é o órgão que controla o corpo. Ele participa de processos essenciais, como o pensamento, as emoções, a memória, a linguagem e os movimentos Quando o tédio é prejudicial Nem todo tédio é igual. De acordo com a neurologista Thaís, existe uma diferença entre o estado saudável e o prejudicial. O primeiro é passageiro, ajuda na criatividade e no descanso do cérebro. O segundo está ligado a sintomas como apatia, falta de motivação e dificuldade em sentir prazer, comuns em quadros de depressão e transtornos ansiosos. Como equilibrar estímulos e pausas no dia a dia O neurocientista Eduardo Rocha sugere algumas estratégias para incluir o ócio criativo na rotina: Praticar meditação, que ajuda a reorganizar funções cognitivas e a estimular a neuroplasticidade; Fazer pausas no trabalho, de preferência a cada 30 minutos, sem recorrer ao celular ou às redes sociais; Ter contato com a natureza, aproveitando sons, cheiros e paisagens que promovem relaxamento e reduzem o excesso de estímulos mentais. “Esses momentos de pausa desafogam o pensamento analítico e favorecem a criatividade. É nesse espaço vazio que o cérebro encontra novas conexões”, conclui o especialista. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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