Cinco anos desde o 1º caso de Covid no país: para onde evoluímos? Ouvir 26 de fevereiro de 2025 Há cinco anos, em 26 de fevereiro de 2020, o Brasil confirmava o primeiro caso de Covid-19. Desde então, o país contabilizou 39.181.954 diagnósticos da doença e 715.108 mortes provocadas pelo coronavírus. O paciente número um foi um homem de 61 anos, que acabava de retornar da Itália, o epicentro da pandemia na época, com sintomas característicos. Foram necessários dois dias de internação no Hospital Israelita Albert Einstein até que o Ministério da Saúde confirmasse o diagnóstico. Entre os altos e baixos da pandemia, os brasileiros viveram a apreensão de ter um vírus novo circulando pelo país e as variantes que surgiram a partir dele, a corrida pelo lançamento de vacinas que pudessem frear a transmissão e minimizar os riscos à vida, e a batalha diária para driblar as fake news, que tinham como principal objetivo colocar medo na população. “Foram diversas mensagens falsas, apelando para a emoção. Conteúdos que deixavam as pessoas alarmadas, em pânico, com medo. Os disseminadores de fake news apelam para vários gatilhos emocionais”, afirma o professor Luiz Carlos Dias, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Academia Brasileira de Ciência (ABC). Leia também Saúde Covid pode estar ligada ao aumento do risco de Alzheimer, diz estudo Saúde Cientistas encontram coronavírus similar ao Mers em morcego no Ceará Brasil Fake news sobre alta de Covid-19 sendo escondida por causa do Carnaval Saúde Ter Covid aumenta risco de pré-eclâmpsia, mostra estudo Dias lembra que o movimento negacionista foi encabeçado por blogueiros, influenciadores digitais, políticos, líderes religiosos e até médicos e cientistas que divulgavam tratamentos alternativos sem comprovação de eficácia, indo contra as vacinas. “Muitos desses médicos lucram até hoje propondo o ‘detox vacinal’, uma alternativa para eliminar os componentes supostamente tóxicos das vacinas. Eles vendem cursos, livros, vitaminas, suplementos alimentares e consultorias. É um mercado muito perverso”, aponta. A infectologista Eliana Bicudo, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca a baixa na cobertura vacinal como um dos piores efeitos das fake news, aumentando o risco do retorno de doenças erradicadas, como o sarampo. “O movimento negacionista que se iniciou durante a pandemia no mundo inteiro se acentuou e progrediu não só com a vacina da Covid-19, mas com todos os imunizantes. Estamos nos esforçando para correr atrás dos prejuízos, tentando esclarecer cada vez mais os benefícios das vacinas. Dias avalia que o país precisa investir em letramento científico, midiático e digital para reverter a situação e evitar uma nova infodemia. O termo foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para designar o excesso de informações falsas. “Uma política de Estado para o combate à desinformação é extremamente importante porque essa máquina que produz teorias conspiratórias é a mesma que produz fake news e distribui desinformação em relação ao negacionismo climático e ao terraplanismo, por exemplo”, sugere Dias. Legados da pandemia da Covid-19 Por outro lado, os especialistas apontam que a pandemia deixou muitos aprendizados. O principal deles, na avaliação de Dias, foi o aperfeiçoamento das tecnologias para a criação de vacinas, como a de RNA mensageiro, usada pela Pfizer e Moderna. “Foi uma das maiores conquistas da pandemia e da ciência como um todo. Vacinas que podemos adaptar, não só para novas variantes do vírus da Covid-19, mas que certamente serão úteis para combater outras doenças porque é uma tecnologia relativamente simples”, aponta o professor da Unicamp. A infectologista Eliana destaca a aceleração da transformação digital; o aumento nas pesquisas sobre vacina; o interesse no cuidado com a saúde mental e a mobilização solidária. “Muitas coisas que não tínhamos foram agregadas, como a telemedicina e os cursos online. Mas o mais importante foi o aumento nas pesquisas sobre vacina. Hoje temos departamentos em instituições de todo o mundo que fazem vigilância ativa de novos vírus, melhorando cada vez mais a produção de novas vacinas, muito mais rapidamente do que existia antes da Covid-19”, afirma Eliana. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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