Pesquisa liga acúmulo de gordura no cérebro ao avanço do Alzheimer Ouvir 25 de setembro de 2025 Por décadas, a ciência apontou as placas de proteínas malformadas como protagonistas do Alzheimer. Agora, um estudo da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, indica que a gordura acumulada em células de defesa do cérebro pode ter papel igualmente decisivo na progressão da doença. O que é o Alzheimer? O Alzheimer é uma doença que afeta o funcionamento do cérebro de forma progressiva, prejudicando a memória e outras funções cognitivas. Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de que ele esteja ligado à genética. É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil. O sinal mais comum no início é a perda de memória recente. Com o avanço da doença, surgem outros sintomas mais intensos, como dificuldade para lembrar de fatos antigos, confusão com horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar. Os pesquisadores observaram que a microglia — células imunológicas responsáveis por eliminar resíduos no sistema nervoso central — perde eficiência quando fica sobrecarregada de lipídios. Essa disfunção favorece o acúmulo de placas de beta-amiloide, característica clássica do Alzheimer. Como a gordura atrapalha o cérebro O trabalho, publicado na revista Immunity em 10 de junho, mostrou que microglias próximas das placas beta-amiloides armazenam o dobro de gordura em relação às mais distantes. Carregadas desse excesso, elas conseguem remover até 40% menos das proteínas tóxicas. Leia também Saúde Alzheimer: o que há de mais novo na medicina para combater a doença? Saúde Novo tratamento para Alzheimer chega ao Brasil. Saiba como funciona Saúde Microplástico no cérebro pode causar sintomas parecidos com Alzheimer Saúde Dieta mediterrânea pode reduzir risco de Alzheimer, afirma estudo Segundo o químico Gaurav Chopra, coordenador da pesquisa, a gordura não é um simples subproduto da doença, mas parte do processo que alimenta a neurodegeneração. “Quando as células de defesa ficam cheias de lipídios, deixam de cumprir seu papel, e o equilíbrio do cérebro se perde”, explica ele em comunicado. O estudo também identificou uma enzima chamada DGAT2 como responsável por desviar ácidos graxos para o armazenamento em forma de gordura. Esse mecanismo, que deveria ser transitório, acaba se intensificando conforme a doença avança, imobilizando a microglia. 8 imagensFechar modal.1 de 8 Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas PM Images/ Getty Images2 de 8 Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista Andrew Brookes/ Getty Images3 de 8 Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce Westend61/ Getty Images4 de 8 Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano urbazon/ Getty Images5 de 8 Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença OsakaWayne Studios/ Getty Images6 de 8 Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns Kobus Louw/ Getty Images7 de 8 Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença Rossella De Berti/ Getty Images8 de 8 O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images Novas perspectivas de tratamento Para investigar formas de reverter o quadro, a equipe testou moléculas capazes de inibir ou degradar a DGAT2. Em modelos animais, a redução da enzima ajudou a limpar os depósitos de gordura, restaurando parcialmente a função das células imunológicas e melhorando marcadores de saúde neuronal. Embora os resultados ainda sejam iniciais, os pesquisadores acreditam que direcionar terapias para o metabolismo lipídico da microglia pode abrir caminhos complementares às estratégias atuais, focadas apenas nas placas proteicas. “Ao restaurar o metabolismo dessas células, conseguimos devolver parte de sua defesa natural contra o Alzheimer”, afirma Chopra. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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