“Só passei no vestibular após diagnóstico de dislexia”, diz professor Ouvir 15 de julho de 2024 Quando o paulista Fernando Geloneze, 40 anos, estava na escola, as dificuldades com matemática e português eram atribuídas pelos professores à falta de atenção e pouca leitura, embora se esforçasse para ler cada vez mais. Anos depois, quando fazia aulas particulares de redação para o vestibular, o jovem de Bauru descobriu que a dificuldade para ler e compreender textos e fazer cálculos matemáticos eram, na verdade, dislexia. Fernando foi diagnosticado aos 19 anos, depois de fazer um exercício de redação. “O meu professor de reforço acabou pedindo para a mãe dele corrigir uma das minhas redações. Ela era psicopedagoga e perguntou se o texto era de um aluno estrangeiro por causa dos erros. Quando ele disse não, ela desconfiou de dislexia”, lembra. O diagnóstico ajudou o rapaz a passar no vestibular de audiovisual, pois ele aprendeu a direcionar sua capacidade e esforços de forma correta. Leia também Saúde Dislexia: conheça 7 sinais que podem orientar o diagnóstico Saúde Cientistas identificam genes responsáveis pela dislexia pela 1ª vez Saúde Sinais do TDAH são vantagem evolutiva na busca por comida, diz estudo Saúde TDAH: especialista lista alimentos a serem evitados Dislexia A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta a habilidade de a pessoa ler, escrever e soletrar. Os pacientes geralmente apresentam dificuldades em distinguir letras e sons parecidos (como T e D), em reconhecer palavras e compreender o significado delas. Eles também não conseguem ler de maneira rápida e apresentam problemas para aprender rimas e montar quebra-cabeças. “O transtorno específico de aprendizagem é uma disfunção neurobiológica. O diagnóstico tardio pode levar a dificuldades socioemocionais, socioculturais e mesmo financeiras. O paciente pode ter dificuldade de passar em concursos ou se estabelecer em um emprego”, afirma David Leite Cavalcante, fonoaudiólogo da Rede D’Or, com especialização em dislexia. O diagnóstico de dislexia costuma ser feito ainda na infância, por volta dos 8 anos de idade, quando a criança está sendo alfabetizada. Mas também pode vir anos depois, quando o grau de dificuldade na escola aumenta. “Eles se queixam de maior dificuldade para compreender os textos que leem ou para fazer cálculos matemáticos”, explica o fonoaudiólogo. Crianças com dislexia podem ter dificuldade de identificar letras e números Fernando lembra que, quando criança, suas dificuldades eram pontuais, com problemas de aprendizado em português, com uma velocidade de leitura lenta e dificuldades com gramática e cálculos. O menino de Bauru foi retirado da sala de aula diversas vezes porque não copiava o conteúdo da lousa ou por ficar impaciente. “Se o parágrafo de um conteúdo era muito grande, chegava no meio dele todo embaralhado. Na hora de fazer divisões, ao invés de ir da direita para a esquerda, fazia o caminho contrário. Os professores de português falavam que eu precisava ler mais, mas sempre li muito, mesmo com dificuldade”, conta. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico da dislexia é feito após avaliação com uma equipe multidisciplinar, envolvendo fonoaudiólogo, neuropsicólogo e neurologista. O tratamento consiste em terapia fonoaudiológica para que o paciente aperfeiçoe a fala, a respiração e a mastigação. Também são feitas consultas com psicopedagogos para desenvolver estratégias de aprendizado e sessões com psicólogos para avaliar os impactos da dislexia nas habilidades gerais. “Com o método fônico, o paciente melhora a leitura. Ele começa com a representação do som das letras, evolui para a formação de sílabas e palavras e, por fim, é capaz de inserir as palavras nos textos”, explica Cavalcante. A psicopedagoga que acompanhava Fernando o ensinou um método de memorização para melhorar a escrita. “Toda vez que eu fazia uma redação, ela assinalava todas as palavras erradas, e eu precisava reescrever essas palavras pelo menos dez vezes. Tinha cadernos com páginas lotadas dessas palavras”, lembra. Além disso, ele desenvolveu uma técnica de estudo para aprender os conteúdos das disciplinas. O esforço ajudou Fernando a passar no vestibular de audiovisual. Anos depois, ele concluiu um mestrado e hoje concilia o doutorado com o trabalho como professor na cidade de Bauru. “Briguei tanto com a dislexia, que acabei fazendo um mestrado, sou professor há 12 anos e estou entrando no doutorado. Para superar a dificuldade, tive que tomar gosto por ler, aprender e estudar”, afirma. Siga a editoria de Saúde no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
Notícias Homem descobre tumor cerebral após ficar 2 anos ouvindo zumbidos 19 de dezembro de 2025 Tumores cerebrais costumam se desenvolver de forma silenciosa, sem sintomas claros nas fases iniciais. Em muitos casos, os sinais aparecem de forma pouco específica e podem ser confundidos com problemas rotineiros. Para Darren Harris, britânico de 59 anos, o único alerta por quase dois anos foi um zumbido constante no… Read More
Alimentação saudável ajuda no combate à calvície. Veja melhores opções 3 de janeiro de 2026 A alimentação impacta diretamente em todas as funções do organismo. Com a saúde dos cabelos isso não é diferente. Os alimentos ingeridos são os responsáveis pelos nutrientes utilizados pelo corpo humano, e por isso, uma dieta variada é essencial. Consumir diariamente alimentos de grupos diversos possibilita que o indivíduo tenha… Read More
Alerta! Alimentos fortificados com proteína podem não ser saudáveis 17 de dezembro de 2024 Embora os alimentos com proteínas adicionadas sejam frequentemente comercializados como saudáveis, nem sempre isso corresponde à realidade. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Miguel Hernández, na Espanha, mostra que a percepção dos consumidores pode estar equivocada. Publicada na revista Nutrients, a pesquisa verificou a qualidade nutricional de alimentos com… Read More