Tai chi chuan beneficia idosos com comprometimento cognitivo leve Ouvir 14 de junho de 2024 Idosos que praticam com frequência tai chi chuan apresentam melhora na função cerebral. É o que mostra um conjunto de 11 trabalhos, que foram analisados por cientistas da Universidade de Houston-Downtown, nos Estados Unidos, da Universidade Médica da China e da Universidade Médica de Nanjing, ambas na China. Em artigo publicado na revista científica Aging & Mental Health, os pesquisadores avaliaram os efeitos da arte marcial em 905 adultos, acima dos 60 anos, que estavam começando a apresentar déficit cognitivo. Os resultados não deixaram dúvidas de que a prática é benéfica para pessoas com esse perfil. Os voluntários que praticavam tai chi chuan com frequência apresentaram melhora na função executiva – um conjunto de habilidades que envolve planejamento, organização, tomada de decisões, memória operacional, flexibilidade cognitiva e monitoramento do comportamento. Leia também Saúde Longevidade: médico ensina 6 hábitos para viver mais e melhor Saúde Perda de potência muscular em idosos pode ser demência, aponta estudo Saúde Musculação faz bem para a saúde do cérebro de idosos, diz estudo Saúde Jogadores de tênis idosos têm resposta muscular semelhante a jovens O estudo detectou também a melhora na memória episódica, ligada a eventos específicos, função visuoespacial (que consiste na identificação de um estímulo e sua localização) e cognição global. Um dos artigos analisados apontou ainda que a modalidade também pode aprimorar a fluência verbal. De acordo com os especialistas ouvidos pela Agência Einstein, a frequência é muito importante para que se possa contar com todas as vantagens da atividade. Três sessões semanais, com duração de 45 a 60 minutos, cada uma, já são o suficiente para oferecer os benefícios relatados nos estudos. Mente e corpo saudáveis Segundo a neurologista Polyana Piza, coordenadora do Programa de Especialidades Clínicas do Hospital Israelita Albert Einstein, os movimentos suaves do tai chi exigem que a respiração seja controlada e o praticante mantenha o foco e a atenção na atividade. Isso, explica a médica, ajuda a estimular a cognição de forma suave e segura, além de trabalhar a coordenação motora, a motricidade fina, o equilíbrio e a propriocepção, que é a consciência corporal. “O tai chi chuan combina exercícios aeróbicos moderados com foco na agilidade e mobilidade, trabalhando o corpo e a mente simultaneamente e estimulando componentes físicos, cognitivos e meditativos na mesma atividade”, diz o médico Pedro Schestatsky, neurologista funcional integrativo e presidente da Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa, com pós-doutorado pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Segundo o especialista, a modalidade é conhecida por influenciar positivamente a função cognitiva por meio de mudanças neurofisiológicas específicas, como o aumento do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), responsável por regular a sobrevivência neuronal e a plasticidade do sistema nervoso periférico e central. “Isso melhora a circulação cerebral e promove o crescimento do hipocampo, área muito importante para a memória e o aprendizado, entre outros benefícios”, ressalta o neurologista. Schestatsky explica ainda que o aspecto meditativo da prática de fato contribui para melhorar a atenção e as funções executivas e reduzir os efeitos negativos da ansiedade e da depressão sobre a cognição. Além disso, ele confirma que a aprendizagem de padrões de movimentos coreografados pode fortalecer habilidades como o processamento visuoespacial, a velocidade de processamento cerebral e a memória esporádica, conforme foi apresentado no estudo. 8 imagens Fechar modal. 1 de 8 Exercícios que fortalecem os ossos e os músculos são essenciais para evitar doenças e demais problemas de saúde. Além de melhorar o equilíbrio, exercitar-se ao menos duas vezes por semana é um dos segredos para prolongar a expectativa de vida e envelhecer melhor Mike Harrington/ Getty Images 2 de 8 Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, mostra que entre 30 e 60 minutos de exercícios de fortalecimento muscular por semana é o suficiente Hinterhaus Productions/ Getty Images 3 de 8 De acordo com os resultados da pesquisa, o risco de morte prematura entre as pessoas que se movimentam é entre 10% e 17% menor do que o verificado em pessoas sedentárias Catherine Falls Commercial/ Getty Images 4 de 8 Exercícios que utilizam o peso do próprio corpo, como a musculação e a prática de esportes, são algumas das recomendações. Além disso, atividades como Tai chi e ioga são indicadas para fortalecer ossos e músculos Nisian Hughes/ Getty Images 5 de 8 Manter o corpo ativo ajuda ainda a melhorar resultados da menopausa, de períodos pós-operatório e pode ajudar a prevenir fraturas nos ossos, por exemplo. Além disso, auxilia no aumento da energia, e melhora o humor e o sono skaman306/ Getty Images 6 de 8 Segundo especialistas, pessoas que se exercitam por, ao menos, meia hora na semana demonstram redução do risco de morte, doenças cardíacas e câncer. Uma hora semanal de atividades de fortalecimento muscular também foi relacionada à diminuição do risco de diabetes Tom Werner/ Getty Images 7 de 8 A massa muscular e óssea do corpo humano atinge o pico antes dos 30 anos. A partir dessa idade, começa um decaimento natural, ou seja, indivíduos que começam a se exercitar na juventude terão aumento da força óssea e muscular ao longo da vida Thomas Barwick/ Getty Images 8 de 8 Pessoas que se exercitam depois dos 30 anos reduzem a queda natural do corpo, conseguem preservar a força óssea e muscular e vivem muito melhor Justin Paget/ Getty Images Atividade favorece a interação social Outro ponto destacado pelos especialistas é que, por ser uma atividade normalmente praticada em grupo, o tai chi chuan promove a interação social, o que é muito importante para prevenir e atenuar o declínio cognitivo associado à idade. “Tem ainda a questão da preocupação em relação ao próprio corpo e à própria imagem, que também acaba se beneficiando”, acrescenta Polyana Piza, do Einstein. A modalidade oferece ganhos a todos os idosos, mas quem apresenta um declínio cognitivo leve conta com todos esses benefícios extras. Os que já têm um envelhecimento cognitivo muito acentuado terão menos capacidade de entendimento e execução dos movimentos, o que faz com que tirem menos proveito das aulas. Porém, elas ainda são válidas como uma terapia ocupacional, segundo os médicos. O tai chi chuan não é a única boa opção para quem está começando a apresentar os efeitos deletérios do envelhecimento do cérebro. Segundo os especialistas ouvidos pela Agência Einstein, todas as atividades que trabalham paralelamente o corpo e a mente têm a mesma capacidade, entre elas, o pilates, a ioga e o qigong, uma prática chinesa que trabalha elementos de meditação, respiração e movimento simultaneamente. (Fonte: Agência Einstein) Notícias
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