Como o desmatamento está relacionado a 28 mil mortes por ano no mundo Ouvir 5 de novembro de 2025 O desmatamento está associado a 28 mil mortes por ano no mundo, segundo estudo publicado em agosto na Nature Climate Change. A pesquisa mostra que a devastação das florestas tropicais provoca um aquecimento local que ameaça a saúde humana e aumenta os riscos em atividades ao ar livre, tanto de lazer quanto de trabalho. A investigação foi liderada por cientistas da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e contou com a participação de um pesquisador da Fiocruz Piauí, no Brasil, e outro de Gana, na África. A equipe cruzou imagens de satélite que revelam mudanças na cobertura florestal e na temperatura da superfície terrestre em regiões desmatadas. Leia também Ciência Desmatamento da Amazônia eliminou 60% mais aves do que o estimado Ciência Estudo: mesmo com queda do desmatamento, degradação avança na Amazônia Saúde Mortes de crianças por diarreia devem aumentar com aquecimento global Ciência Clima extremo aumenta número de mortes evitáveis no Brasil e no mundo A análise também levantou informações sobre distribuição populacional e excesso de mortalidade entre 2001 e 2020. As maiores taxas de mortalidade relacionadas ao desmatamento estão concentradas em regiões da Amazônia, da África e do Sudeste Asiático. Nesses locais, a perda florestal pode responder por até um terço das mortes associadas ao calor. Sabe-se que a derrubada de árvores aquece o solo e o ar da região, potencializando os efeitos do aquecimento global. “Milhares de pessoas, especialmente nas regiões mais quentes e pobres do planeta, passam a sofrer mais com doenças causadas pelo calor, como desidratação, problemas cardíacos e exaustão térmica”, relata o clínico geral Frederico Polito Lomar, do Einstein Hospital Israelita. “Proteger as florestas não é apenas uma questão ambiental ou climática. É uma forma de salvar vidas humanas”. O excesso de calor sobrecarrega o organismo e pode ser fatal. Quando a temperatura ambiente sobe demais, o corpo tem dificuldade em dissipar o calor interno, o que causa desidratação, queda da pressão arterial e sobrecarga do coração. Em casos extremos, ocorre a chamada insolação ou hipertermia, quando o organismo perde a capacidade de controlar a própria temperatura, possivelmente levando a falência de órgãos e morte. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas são os mais vulneráveis. O estudo aponta que quanto maior for a cobertura florestal, menor a mortalidade. Em locais com mais de 50% de cobertura original, a taxa de mortalidade associada ao desmatamento foi de 42%, enquanto em regiões mais desmatadas chegou a 58%. Além do calor, a perda de áreas verdes agrava outros problemas de saúde: a poluição gerada pela queima da vegetação deteriora a qualidade do ar, eleva a emissão de gás carbônico e aumenta o risco de doenças infecciosas, como a malária. Para os autores, os resultados reforçam a urgência de conservar as florestas tropicais, proteger as áreas que ajudam a mitigar os extremos de temperatura e garantir maior acesso à saúde, especialmente para populações vulneráveis. Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto! Notícias
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